Pronto para entrar no Black Mirror?

Pronto para entrar no Black Mirror? Desde que assisti o episódio “queda livre” da série Black Mirror, não consigo ler as avaliações dos meus alunos sem me sentir dentro da série… e é sobre isso que eu quero falar com você aqui neste post:

pronto para entrar no black mirror

 

Pronto para entrar no Black Mirror?

Publicar seu primeiro curso online pode ser sua entrada definitiva no Black Mirror… Desde que eu assisti o episódio queda livre da série eu leio as avaliações dos meus alunos como se eu fosse um personagem da série. Bom, mas deixa eu me explicar direitinho:

Black Mirror é uma série de ficção científica britânica criada por Charlie Brooker e disponível para todos os assinantes da Netflix. Cada episódio tem um elenco diferente, um set diferente e até um enredo diretente. Mas, todos eles nos mostram um futuro não distante que é, na verdade, uma metáfora para nossa realidade.

A série nos remete a um futuro onde algumas das tecnologias que já fazem parte da nossa vida, ganham um significado ainda maior no cotidiano das pessoas e influenciam diretamente suas vidas e seu comportamento.

Um dos episódios mostra por exemplo uma sociedade onde seria possível “bloquear” uma pessoa com a qual não queremos mais ter contato na vida real. É simples: um clique e a pessoa em questão vira um simples borrão: a pessoa bloqueada perde sua imagem, sua voz e qualquer possibilidade de contato com o “bloqueador”.

Se pensarmos bem, já não fazemos isso nas redes sociais em especial no Facebook, não é mesmo? Nas redes sociais já temos a possibilidade de bloquear contatos, de desfazer amizades ou de simplesmente deixar de “seguir” alguém, em poucos segundos.

E o pior (ou melhor??) de tudo? Não precisamos justificar este ato. Podemos desfazer uma amizade de anos sem que a outra pessoa tome conhecimento disso.

Na festa de aniversário de 70 anos do meu pai, uma prima com quem eu tenho pouco contato na “vida real” veio me pedir desculpas por ter desfeito nossa amizade no Facebook por causa das minhas opções e opiniões políticas. Eu confesso que fiquei surpresa pois nem tinha notado esta ação, visto que já tinha deixado de segui-la há muito tempo pois suas postagens não acrescentavam em absolutamente nada a minha timeline (me irritavam extremamente para falar a verdade).

Conversamos na vida real, ficou tudo bem (nos gostamos e ponto final por isso também precisamos respeitar umas as outras) mas quando ela me enviou um novo pedido de contato eu aceitei (não guardo rancores) e coloquei-a em um lugar muito especial da minha lista onde protejo-a das minhas publicações pessoais.

Entendo que assim como evito discussões inúteis na mesa, posso evitá-las também nas redes sociais.

E assim, vamos criando nossas bolhas, vamos nos protegendo, vamos “bloqueando” tudo o que não nos parece adequado, tudo o que poderia gerar um conflito, um desconforto.

Bom, mas

o que o Black Mirror tem a ver com meu curso online na Udemy?

Você assistiu o episódio “queda livre”?

Neste episódio, as pessoas são classificadas (e divididas dentro da sociedade) a partir das notas que elas recebem (constantemente) de todas as outras pessoas com quem entram em contato.

 

O sistema de avaliação da Udemy é o Black Mirror dos intruturores

Já falei várias vezes por aqui que a transparência das informações disponibilizadas pela Udemy na página de inscrição de cada curso é um dos motivos pelos quais eu escolhi a Udemy para hospedar meus cursos.

Leia também: Por que eu escolhi a Udemy?

Mas, o sistema de avaliação me remete diariamente ao episódio “queda livre” da série! Tenho certeza de não ser a única, pois vejo lamentações diárias dos meus colegas também.

Até já escrevi um post falando sobre como lidar com as avaliações negativas dos alunos e outro mostrando aos futuros alunos, como ler uma página de inscrição de um curso online para não se decepcionar com o curso.

Fato é que, experiente ou não, ninguém publica um curso para desagradar os alunos. São dias ou até meses de planejamento, pesquisa, preparação de material, gravação e edição de vídeos, divulgação e acompanhamento dos alunos dentro da plataforma.

Cada curso publicado representa horas de trabalho e dedicação para que este conteúdo chegue a outras pessoas, ajude-os a resolver algum problema específico, a se desenvolver pessoal e profissionalmente.

Somos na maioria professores, profissionais especializados,  com experiência em diferentes áreas de conhecimento e talvez por isso mesmo, temos a “soberba” de querer ensinar!

 

Publicar seu curso online é “colocar a cara a tapa”

Assim como a cada novo dia, cada nova aula, palestra, seminário e até mesmo posts em blogs e em redes sociais, publicar um curso online é “dar a cara a tapa”. A grande diferença é que na “vida real” palavras são ditas e esquecidas, caras feias tornam-se sorrisos, desentendimentos terminam em abraços. No mundo virtual, tudo fica registrado e no marktplace da Udemy os cursos passeiam e são classificados exatamente como os personagens do episódio “queda livre” e os cursos mais populares ganham mais visibilidade (que ajuda e muito nas vendas), veja um exemplo concreto diretamente da Udemy:

E, se seu curso realmente entrar neste movimento de queda livre, ou seja, a média geral baixar de 4 estrelas (são 5 no máximo), ele perderá a visibilidade dentro da plataforma e consequentemente, o número de novos alunos também entrará em queda livre!

 

Ser 4,6 é preciso, “viver não é preciso”

Fernando Pessoa vai (espero!) me desculpar por esta paráfrase mal feita mas é a verdade dos nossos dias! Atualmente a minha média geral como instrutora é de 4,6, veja:

Contudo, esta é uma média geral e pode mudar a todo momento, dependendo das novas avaliações dos alunos. Você pode acessar o meu perfil de instrutora Udemy e conferir esta variação em tempo quase real, ok?

 

A média geral dos meus cursos é de 4,60 sendo que:

 

 

Veja que o curso Edição gráfica de materiais didáticos com o Canva entrou em queda livre mesmo! Uma média de 3,7/5,0 é preocupante pois indica claramente a insatisfação dos alunos com o curso. Como tanto eu quanto a Ilidia Serra, minha parceira neste curso, percebemos que nossa proposta de curso não estava sendo realmente útil para nossos alunos, resolvemos cancelar a publicação do mesmo.

 

Agora olhe com atenção a página de inscrição do meu curso Apresentações de Impacto:

curso online como criar Apresentações de Impacto

 

Dentro de uma média aceitável, não é mesmo?

Mas olhe direitinho para o contraste entre essas duas avaliações do mesmo curso (não vou esconder os nomes pois essas avaliações são públicas e qualquer pessoa pode ter acesso, ok?) e tire suas próprias conclusões:

Nunca entendi porque ele deixou um comentário em inglês, sabe? mas um coisa é certa: ele nunca pediu o reembolso do curso apesar da garantia e mesmo tendo escrito com todas as letras aqui!

 

Como lidar com as avaliações negativas dos seus alunos?

Depois da minha primeira avaliação negativa (foi um choque a primeira avaliação com duas estrelas que recebi, exatamente neste curso e por isso quis usá-lo como exemplo!) assumi a seguinte postura:

  1. responder ao comentário do aluno publicamente para que os visitantes da página saibam que eu tomei conhecimento do descontentamento do aluno;
  2. envio uma mensagem privada me desculpando por não ter conseguir atingir as expectativas de aprendizagem dele e lembrando que ele tem direito a pedir o reembolso da matrícula em caso de insatisfação.
  3. não peço mais sugestões para melhorar a qualidade do curso quando a nota for de 1 ou 2 estrelas pois como você pode ver, mais de 50% dos alunos matriculados o avaliaram com 5 estrelas. Ou seja, refazer o curso para agradar uma minoria completa não somente seria uma perda de tempo com também desagradaria a grande maioria, certo? Por isso, sugiro o reembolso da matrícula.

Resultado:

Raras são as respostas, as sugestões e as críticas construtivas dos alunos extremamente descontentes com o curso.

Isso nos faz pensar no limite das relações humanas nos AVA (Ambientes Virtuais de Aprendizagem). Enquanto o aluno está tendo contato com um conteúdo automatizado: videoaulas em sequência, leituras, mensagens automáticas até a possibilidade de avaliar este conteúdo, esta pessoa que ele não vê nos olhos, esta relação também parece automática. Assim, grande parte das avaliações também é automática: quem é do 5, dará facilmente 5 estrelas, quem é do 1, fará o mesmo!

Se você passear um pouquinho pelas avaliações dos meus cursos, poderá entender muito bem o que estou falando, principalmente se ler os comentários das avaliações com 4 estrelas. Aqui, sentimos a postura de quem não dá nota máxima “por princípio”.

 

Assim, quando esta relação estudante X máquina de conhecimento se quebra e se torna Leila X aluno A, B ou C, muitos ficam sem reação (nem mesmo os reembolsos sugeridos por mim são pedidos).

 

Somos pessoas e não máquinas

É sim, é uma pessoa que está do outro lado da máquina. Uma pessoa como você aí do outro lado. Uma pessoa que tentou dar o melhor de si para ajudar outras pessoas a desenvolver uma determinada competência e, se ela não consegue fica tão frustrada quanto você que não conseguiu obter os resultados esperados.

É evidente que a avaliação não pode ser baseada na empatia (não é porque um aluno entendeu que seu instrutor é uma pessoa de carne e osso que ele precisa avaliar um curso positivamente, assim como você professor não avalia seus alunos pela simpatia e o presentinho no dia dos professores). Essa avaliação precisa ser baseada em fatos e na análise da proposta do curso em relação ao conteúdo realmente apresentado pelo instrutor.

Uma crítica baseada em fatos concretos pode ser muito útil para qualquer pessoa: assim, ela poderá repensar suas atitudes, seus princípios, sua convicções. Para um professor não é diferente: se ele perceber que seu conteúdo, didática e metodologia de ensino não está favorizando o aprendizado dos seus alunos ele vai repensá-los, modificá-los e fazer o impossível para que cada um dos seus alunos alcance seus objetivos de aprendizado. Mas, quando o aluno se limita a fazer cara feia (como criança na frente de um prato de brócoli) ele não contribui em absolutamente nada para nosso desenvolvimento.

Cada avaliação negativa é um tapa… mas você resolveu colocar a sua cara a tapa, lembra? Então, ofereça a “outra face” pois assim como eu, você com certeza encontrará muito mais pessoas dispostas a colaborar para seu desenvolvimento do que crianças birrentas na frente de um prato de brócolis!

Se você também já entrou no Black Mirror, deixe seu depoimento e conte-nos como você lida com as avaliações negativas dos seus alunos.

Se você ainda não deu sua “cara a tapa” mas está pensando em fazê-lo, então, leia também o post:

E, se você se sentir pronto para entrar no Black Mirror, leia também o post Por que eu escolhi a Udemy e saiba porque eu e muitos outros instrutores também aderiram esta plataforma de ensino a distância.

Compartilhe!