Está na hora de largar seu emprego?

Está na hora de largar seu emprego e empreender? Uma questão para qual minha resposta geralmente é não, mas que merece sim um pouco mais de reflexão. Você está insatisfeito com seu trabalho e pensando em largar seu emprego e empreender? Então, este post é para você:

Está na hora de largar seu emprego?

Ontem eu comecei a testar uma nova ferramenta na minha fanpage no Facebook: o chat fuel, um serviço de mensagens automáticas que eu vou mostrar para você melhor em breve, mas neste post eu quero falar sobre o efeito que ele gerou.

Eu fiz um teste bem simples, realmente para testar a ferramenta e ver se as mensagens automáticas chegavam realmente até as pessoas… e, o fato de elas terem recebido uma mensagem privada minha, abriu espaço para um diálogo que até então não existia!

Alguns deles sobre a ferramente em si, outros sobre a estratégia e outros ainda desabafando e pedindo conselhos.

É claro que eu me sinto honrada com a confiança que as pessoas depositam em mim e por outro lado, confesso que fico com medo de aconselhar errado, principalmente quando o assunto é a insatisfação profissional.

Eu sou uma empreendedora muito satisfeita com seu emprego fixo (sim, eu tenho um emprego de meio período e ainda vou falar melhor sobre o que faço offline pois é realmente muito interessante). Por isso e também por eu precisar de estabilidade e segurança financeira, eu NUNCA aconselharia alguém a largar seu emprego.

Contudo, este pedido de ajuda recebido ontem, ainda não saiu da minha cabeça: (não vou colocar o nome da pessoa por motivos óbvios, ok?)

 

Professora, eu preciso de ajuda. Eu sou efetiva, leciono no Ensino Fundamental II. Mas estou infeliz. Tenho um bebê e está difícil conciliar tudo. Não sinto vontade ir para a sala de aula. Tenho vontade de abandonar tudo e investir no ensino online.

 

Eu respondi com minha diplomacia de sempre: não larga tudo, diminue a carga horária, faz pesquisa de mercado, começa de “mansinho”.

Este, entre tantos outros pedidos de conselhos e ajuda que tenho recebido, me tocou especialmente e é esta a razão desse post!

Está sendo um sacrifício pra mim. Eu já trabalho há mais de vinte anos e não quero mais viver assim. Continuou minha aluna.

Sabendo eu o que significa ser professor no Brasil, eu também não gostaria de estar em uma sala de aula do Ensino Fundamental e acho que posso entender muito bem o sentimento dela.

Eu enviei um longo e-mail para ela que vou reformular aqui (e reenviar) para tentar ser mais clara.

Empreender tem uma vantagem muito clara:

empreender é realizar sonhos! Planejar, testar, analisar, estudar sempre e mais, executar, realizar! O que é muito, muito satisfatório pois nos faz viver mais intensamente cada dia! Enquanto um trabalho formal transformam as sextas-feiras em dias de glória, para um empreendedor este dia é a segunda-feira! E isso, nos dá uma visão completamente diferente do mundo. Mas, ter um trabalho fixo também tem suas vantagens.

Quais são as vantagens de se ter um emprego fixo?

  • garantia de rendimentos: seu salário será depositado na sua conta todos os meses;
  • estabilidade financeira: você sabe exatamente o quanto vai receber no final do mês e pode se organizar melhor;
  • direitos trabalhistas: final de semana, hora-extra, 13° salário, seguro desemprego, seguro saúde, previdência social, férias remuneradas e, se você sofrer um acidente ou ficar doente ainda tem a segurança de receber uma parte do seu salário.

Para mim, essa segurança tem um valor enorme hoje em dia, mas nem sempre foi assim. E justamente por nem sempre ter sido assim, que resolvi mudar o teor do meu discurso.

Eu também já fui muito infeliz no meu trabalho: professores de escola pública no Brasil (mesmo os efetivos, que têm segurança e plano de carreira) são explorados, ganham mal e não têm o respeito da sociedade.

Pare de pensar naquelas frases bonitinhas sobre educação e valor do professor que você lê no Facebook e pense simplesmente nos dias de greve!

Antes de os grevistas serem humilhados nas redes sociais (no meu tempo de professora no Brasil) já ouvia (dentro da minha própria família) coisas do tipo:

 

 -é professor porque quer! Sempre soube que professor ganha pouco agora fica reclamando e fazendo greve!

-não quisesse estudar (e te tornaste professora) agora não reclama!

 

Hoje com as redes sociais e os milhões de imbecis a quem ela deu voz (como bem deficiu Humberto Eco) a situação é muito pior!

Professores que lutam pelos seus direitos, que realmente se interessam pela educação e sabem do valor do seu trabalho (que é formar uma nova geração de cidadãos) não podem estar felizes com seus trabalhos.

Isso é motivo para largar seu emprego e empreender?

Não! Você pode continuar lutando para que haja mudanças na política e na sociedade, você pode trabalhar com muito mais dedicação para fazer sim com que a nova geração seja mais consciente, menos egoista e menos burra.

Mas, talvez você já esteja há 20 anos na sala de aula e não tenha mais forças para lutar. Eu perdi as minhas há muito mais tempo então, não sou eu quem vai atirar a primeira pedra.

E, se na sala de aula nós somos desrespeitados, massacrados por alunos, pais, diretores, governadores e pela população em geral, no ensino a distância a coisa é bem diferente!

E isso é motivo para largar seu emprego e empreender ensinando online?

Talvez sim, talvez não e isso vai depender principalmente da sua situação financeira e familiar. Não depende do seu propósito, das suas boas intenções nem do seu amor pelo ensino. Depende de dinheiro!

Você tem dinheiro?

É claro que para criar um curso online e começar a vendê-lo você não precisa de grandes investimentos. Usando uma plataforma como a Udemy por exemplo, você precisa simplesmente criar seu curso e colocá-lo no ar, pronto!

Mas, criar o curso perfeito e colocá-lo no ar não é garantia de sucesso nem de geração de renda! E qualquer pessoa que diga o contrário está mentindo!

Eu publiquei meu primeiro curso online em março de 2016, hoje tenho 11 cursos publicados e mais de 2 mil alunos e mesmo assim, a renda gerada com meus cursos não é suficiente para manter o padrão de vida que eu gosto de ter (não estou falando de tomar champagne desfilando de limousine pela cidade, ok?).

Vejo todos os dias empreendedores digitais e instrutores Udemy de um sucesso esplendoroso (vide o caso do colega Willian Justin que alcançou 10 mil alunos em 3 meses de Udemy) e muitos outros remando contra a maré!

Por isso eu repito minha pergunta: você tem dinheiro?

Ou melhor, você tem a possibilidade de passar alguns meses sem ter uma renda fixa garantida, de sacrificar seus finais de semana para trabalhar, tem o apoio da sua família para começar e enfrentar todos os riscos de se tornar independente?

Se a resposta for não, você já sabe: não largue o seu emprego! Comece a montar seu negócio “de mansinho” nas horas vagas e deixe seu emprego somente quando estiver seguro.

Se a resposta for sim, então, vá em frente! Mas, entenda o mercado e planeje suas ações! Como eu já falei, somente criar o curso perfeito não é garantia de absolutamente nada!! Pense simplesmente: o curso é perfeito… mas para quem? Se ele for perfeito somente para você ele não vai gerar renda, certo?

Então veja bem, antes de qualquer coisa, siga esses passos:

 

# 01 – faça uma lista com assuntos da sua preferência

O que você sabe tão bem que você pode ensinar? Para quem já é professor, essa lista fica bem fácil! Veja o caso da minha aluna professora de língua portuguesa, os temas relacionados ao ensino do português são os mais variados:

  • redação: para o ENEM, para vestibulares, para concursos, para trabalhos acadêmicos;
  • gramática: para o ENEM, para vestibulares, para concursos, para o dia a dia;
  • literatura: aqui, além dos vestibulares e afins, quantas pessoas gostam de ler? Se interessam por literatura, por este ou aquele autor?
  • escrita: escrever bem, escrever para blog, escrever dissertações, trabalhos acadêmicos, correspondência oficial;
  • ensino da língua portuguesa: como ensinar isso ou aquilo, como incentivar a leitura para crianças, como trabalhar a escrita coletiva, como trabalhar poesia

E essas são apenas algumas ideias que me vieram na cabeça agora.

#2 – faça uma pesquisa de mercado

Como esses assuntos estão sendo tratados? Existem cursos online? Como são esses cursos? Eles têm demanda? Para quem são direcionados? Quem é o instrutor?

Aqui, uma simples pesquisa no Google pode ajudar você! Se você pretende publicar seu curso na Udemy, então pesquise por esses termos dentro da plataforma.

Analise as questões mensionadas acima e pergunte-se:

  • O que você pode fazer de melhor?
  • Qual é o seu diferencial como instrutor?
  • Qual será o diferencial do SEU curso?
  • Qual será o público-alvo do seu curso?

# 3 – conheça seu público-alvo

O público-alvo é uma questão central no seu negócio e deve ser estudada mesmo antes de começar o planejamento.

Além de precisar conhecer os hábitos, as dificuldades, dores e desejos do seu público, é preciso saber também: este público pode/quer/vai investir seu tempo e seu dinheiro para poder aprender o que você quer ensinar?

Por exemplo, um dos meus cursos preferidos (até por razões sentimentais, digamos assim) é o curso Empreendedorismo Digital para Professores.

Este curso foi resultado de uma especialização em didática de EaD  da qual eu participei na Universidade Livre de Lisboa e mora no meu coração pois é para mim uma maneira de mostrar para meus colegas de profissão que existe sim vida fora da sala de aula e que as possibilidades são muitas!

O curso já ajudou muitos professores a criar seus próprios negócios e a dar vida aos seus projetos. Contudo, ele não é um verdadeiro sucesso de vendas (na verdade, ele está entre os cursos que menos me geram renda).

Ele foi lançado na metade de 2016 e conta somente com 195 alunos:

Curso sobre empreendedorismo digital

 

Enquanto o curso “Como criar um curso online?”, lançado em abril de 2017, conta com 160 alunos inscritos.

E o que isso nos mostra? Simplesmente que aprender a criar um curso online gera mais interesse do que a entender a dinâmica do empreendedorismo digital.

Talvez uma simples mudança de nome do primeiro curso ajudaria? Sim, com certeza! Principalmente se eu tirasse o “para Professores” do título do curso. Muita gente quer montar seu negócio online mas poucos professores o querem. E eu, quero mais professores e especialistas de verdade ensinando online!

Mas, o público “professores” investe pouco na sua formação informal.

E esta é mais uma questão a ser levada em conta: seu público está pronto para investir?

E você? Está pronto para (se) investir? Se (re)descobrir, se reinventar como profissional? Então, comece entendendo como o mercado digital funciona, participando do curso Empreendedorismo Digital para Professores.

Depois sim, comece a criar seu negócio e seus cursos online!

Bom, eu espero que este post tenha ajudado você a ver a situação (empreender ensinando online) com um pouco mais de clareza e que ele ajude você a continuar refletindo para poder tomar a decisão certa: para você e para sua família.  Se for o caso, deixe um comentário para eu saber que não foi tempo perdido este post enorme 😊

Eu costumo dizer que “ensinar online não é um negócio, é uma paixão” pois eu realmente acredito nisso. Mas é claro, também é um negócio: com seus riscos e possibilidades.

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