Como encarar de frente a quantidade enorme de cursos grátis do mesmo assunto que você vai ensinar?

Você também está se perguntando como fazer concorrência ao mercado do curso online gratuito?

Então, veja se você concorda com minha linha de raciocínio!

Na semana passada eu comecei a preparar minha palestra para o SENATED – Seminário Nacional de Tecnologias Educacionais deste ano e abri um espaço para perguntas em diferentes grupos dos quais eu faço parte.

Esta pergunta foi enviada pelo Professor Antônio Henrique Reis, Professor experiente na área de desenvolvimento de software e meu aluno no curso Empreendedorismo Digital Para Professores.

Antônio , como a maioria dos meus alunos neste curso, tem longa experiência no ensino e (como a grande maioria dos meus alunos e colegas de profissão) pouca experiência em vendas.

A pergunta do Antônio foi exatemente o título des post:

Como encarar de frente a quantidade enorme de cursos grátis do mesmo assunto que você vai ensinar?

Esta é uma pergunta muito delicada pois todos conhecemos o poder da “amostra grátis”, certo? Você nunca comprou um pacote de biscoito incrivelmente calório e onde a constituição não passava de um combinado de conservantes e aromas artificiais somente porque você foi fazer compras com fome e aquela moça simpática deu um biscoitinho para você provar?

Acho que para mim este é o melhor exemplo da utilidade do curso online gratuito: criar no maior número de pessoas possível o desejo irresistível de continuar consumindo para que alguns deles realmente continuem consumindo e comprem seu curso online.

Quando mudamos nosso produto de biscoitos para cursos online a concorrência parece desleal mesmo! Existem milhares de vídeos no youtube ensinando o possível e o impossível, existem cursos de professores competentes e experiêntes tentando se tranformar em um youtuber famoso, existem os vídeos caseiros de quem filmou ilegalmente a aula de um dos professores, existem os amadores querendo ficar ricos com seus tutoriais no youtube e existem os que aprenderam a receitinha “infalível” do marketing digital: mini-curso com sequência de e-mails carregada de gatilhos mentais para criar a urgência da compra.

Não vou entrar em questões de avaliação nem de críticas a cada um desses sistemas. Sabemos que existe gente que vive sim dos seus vídeos no youtube e gente que consegue tirar as últimas economias de uma pessoa para que ela invista no produto milagroso que ela está anunciando.

Mas e então: como cobrar por um curso online quando teoricamente grande parte deste conteúdo já está online e sendo distribuido gratuitamente?

cashbox-1642989_1280

 

Para começar a vender seus cursos online você precisa entender:

Nada é de graça!

Quem oferece um curso gratuito tem suas razões e lucro nisso.

Se você é um professor empreendedor você oferece cursos gratuitos, coloca vídeos no youtube, escreve um blog, lança um e-book com a intenção de mostrar o seu trabalho. É a tal da amostra grátis, lembra?

E a razão é simples: quem já conhece o seu trabalho vai pagar mais facilmente por ele!

Se você investe na criação de lista de e-mails, você já ouviu dizer que “o dinheiro está na lista”. Sabe por que? Porque a pessoa que deixou o e-mail para receber seu conteúdo gratuito já fez uma primeira compra. Esta compra não foi paga com dinheiro mas com o e-mail dela.

E aí voltamos para a ideia de que nada é de graça! Quem não paga em espécie, paga com um like, com o e-mail, com uma recomendação, com uma avaliação positiva.

 

O conhecimento distribuido em rede é fragmentado.

Um dos grandes estudiosos do nosso tempo, o sociologo polonês Zygmund Baumann introduziu o conceito de modernidade líquida, onde ele mostra a fragilidade e a superficialidade das relações humanas e trabalhistas na era digital.

Este conceito de “liquidez” no sentido da sua superficialidade é facilmente perceptível quando fazemos uma busca no google. O resultado da nossa pesquisa é sempre um aglomerado de hiperlinks nos oferecendo milhares de possibilidades de receber a informação desejada sem que necessariamente consigamos achar a resposta que estávamos procurando. Então, se é verdade que existe muito conteúdo gratuito e até de qualidade na internet, onde achá-lo?

Para voltarmos ao exemplo da “amostra grátis” vemos mais uma vez aqui a fragmentação do conhecimento: uma amostra grátis só tem sentido se deixar o gosto de “quero mais”. Assim sendo, os cursos gratuitos oferecidos em troca de um e-mail ou da visualização de um anúncio (como é o caso do youtube) não tem o intuito de favorecer a construção de um conhecimento sólido. Ele é líquido na sua base! Fragmentado necessariamente para induzir o próximo clique que levará à visualização de um próximo anúncio no próximo vídeo (é assim que os youtubers geram renda), à assinatura de uma lista de e-mails, à compra de um curso mais completo, à contratação de um serviço.

 

O que nós professores precisamos entender para não nos decepcionarmos com o número de matrículas nos nossos cursos online:

2

 

Os autodidatas sempre existiram!

É verdade! Tem gente que consegue aprender sozinho. Algumas pessoas têm a capacidade de encontrar as informações certas, construir seu próprio programa, uma base de dados, uma rede de contatos confiável e é sim capaz de construir um conhecimento sólido. Eu confesso não pertecer a este grupo de pessoas mas sei que ele existe!

 

Grande parte das pessoas não busca conhecimento, mas informação:

E aqui encontramos talvez a maior parcela da população. Quem faz uma busca no Google por exemplo, não está necessariamente procurando um curso completo sobre um determinado assunto. Ele está procurando uma informação pontual para resolver um problema pontual. Você pode ter a sorte de ser encontrado, de oferecer esta informação, ajudar a resolver o problema e talvez ganhar um seguidor. Um seguidor que talvez se interesse por seus cursos, já que ajudando na resolução do problema você se torna uma referência para esta pessoa.

 

Tem quem não queira ou não possa pagar por um curso online:

Mesmo com o constante crescimento do mercado do ensino a distância, muitas pessoas ainda têm medo de investir em um curso online. Uma parte delas por insegurança com relação ao pagamento, vale lembrar que a população brasileira por exemplo, tem acesso à internet à partir de smartphones e graças ao wifi livre. Muitas dessas pessoas conhecem pouco além das buscas no google e da atualização do seu perfil no facebook. Não tem cartão de crédito, não confiam nos bancos online, não sabem o que é o paypal.

Outra parte não investe em um curso online por ter participado de muitos cursos gratuitos (fragmentados e “líquidos”) que não proporcionaram uma verdadeira experiência de aprendizado.

 

Você professor não oferece o curso que seu aluno quer comprar:

Talvez esta seja a maior dificuldade de um professor com formação acadêmica e experiência no ensino formal: nós sabemos o que queremos ensinar e não o que nosso aluno quer aprender.

É claro, você é o professor, tem formação, tem experiência e sabe o que seu aluno precisa para aprender para desenvolver esta ou aquela habilidade. Mas de quê adianta criar o curso perfeito se ninguém se interessar por ele? Para isso já bastam as aulas que preparamos com tanta dedicação (e nas nossas horas livres) sem que nossos alunos realmente se interessem por elas, certo?

Por isso, se você quer empreender ensinando online, é preciso que você comece a pensar como um empreendedor. Você precisa criar um produto/serviço/curso online que atenda as necessidades do seu público.

É exatamente isso que eu proponho no módulo 3 do curso Empreendedorismo Digital para Professores:

  • Como identificar os problemas encontrados por seus alunos para poder criar um curso que ele realmente queira fazer,
  • Como usar as ferramentas digitais como o Google Trends e Google AdWords para encontrar possibilidades de negócios (os interesses dos seus futuros alunos),
  • Além de alguns estudos de casos para você ver na prática como este processo funciona desde a busca no google até a decisão ou não da compra.

 

As pessoas não vão encontrar e nem se interessar pelo seu curso de você não falar dele!

Você já percebeu que as pessoas de sucesso não perdem nenhuma oportunidade de falar de si e dos seus negócios? Pois é… e você? Quando falou sobre seu curso, suas competências, sobre o mercado, os negócios pela última vez?

Se você cobra pela matrícula dos seus cursos online então você está criando um negócio! Não esqueça disso! E um negócio na internet onde, como já falamos tudo é líquido, fragmentado, perene. A informação que passou no seu feed de notícias ainda a pouco já será dificilmente encontrada se você não a marcou de alguma forma. Então, alguém que acabou de passar os olhos na sua timeline e não clicou imediatamente no seu post, no seu vídeo ou no seu anúncio vai perdê-lo completamente de vista em alguns segundos.

É preciso ser constante e buscar juntar os pontos neste mundo fragmentado que é a rede. Buscar a consistência,  perseverar, inovar, gerar valor para tornar o valor do seu trabalho perceptível ao seu público.

 

Você precisa investir em marketing e em anúncios pagos:

Como já falei para você tudo é muito rápido, muito imediato, muito efêmero na internet e você não vai conseguir fugir dos anúncios seja no facebook, adsense, no youtube, no twitter.

No seu curso “como vender cursos online”, meu colega Marcos Castro explora bem esta questão dos anúncios, como criá-los, quanto investir.

Neste curso ele também fala da nossa dificuldade como professores com as vendas. Nós somos especialistas na criação de conteúdo e grandes amadores nos negócios. Isso desanima. Tanto conhecimento, tanto empenho em criar o melhor material possível e ninguém reconhece nosso valor, ninguém quer “pagar para ver”, para aprender conosco.

Mas, e se ninguém paga simplesmente porque sua oferta não chegou ao público certo? Por que você não está sabendo se comunicar com seu público? Por que você ainda não vê seus cursos online como um negócio?

 

Pense um pouco nestas questões e:

Se você quer gerar renda e criar um negócio rentável você não vai poder fugir dessas questões!

Bom, este post ficou um pouco longo, mas espero ter ajudado! Se foi o caso, deixe um comentário e compartilhe estas dicas, só assim vou poder saber se este conteúdo ajudou você de alguma forma!

Se você ainda tem questões sobre o assunto, se tem sugestões para melhorar o desempenho e as vendas de cursos online, deixe um comentário também! Conhecimento nunca é demais!

  • Olá Leila!
    Gostei muito da sua resposta.
    Acho que você foi ao ponto certo, pois quando coloquei minha insatisfação aos cursos online gratuitos, estava realmente sabendo que meus cursos são bons, mas não atingem as pessoas certas.
    Temos muito para aprender ainda.
    Vou ler novamente o post, rever outros conceitos e seguir em frente.
    Agradeço desde já a sua disposição de responder a minha questão.
    Um grande abraço!
    Antonio H Reis

    • Oi Antonio! uma boa estratégia pode ser colocar uma parte do curso como gratuito… tipo “primeiros passos”. Na Udemy por exemplo, podes criar um curso gratuito com 30 minutos de aula… pode ser um curso extra com 30 mintuos do curso completo… assim aumentas tua base de alunos e ganhas visibilidade na plataforma… estou pensando em criar alguma coisa desse tipo em breve! os resultados vou compartilhar aqui com certeza! 🙂